sexta-feira, 8 de junho de 2012

JdoN


Moro numa cidade caracterizada pelo caos do trânsito, pelo calor que julgam infernal e que dizem desapropriar-se da cultura em prol do desenvolvimento econômico. Ninguém gosta de estar aqui, a não ser os próprios habitantes. As pessoas afirmam que detestam estar aqui, odeiam enfrentar o trânsito carregado do centro e não veem a hora de voltar para casa. Tá certo.

O que eu vejo, no entanto, é uma cidade que, unindo histórias de todas as outras circunvizinhas, construiu, em cem anos, um império de cultura, economia, política e influência em todo o Ceará, Nordeste, Brasil e do raio que o partam. É como um caldeirão que, sem distinção, acolhe o primeiro, segundo, terceiro e o último que passarem pela porta de entrada. Sair daqui é difícil, meus caros. Nós respiramos um ar mais poluído que as demais cidades caririenses, mas transpiramos suor de gente batalhadora, assim como todos vocês. Temos os mesmos defeitos e qualidades que vocês, a diferença é a intensidade que se tem em cada caso.

Somos cidade importante, que triunfa entre as principais do país, que não para de crescer e realizar sonhos. Somos a mesma que destrói sobre a tristeza, derrota e injustiça de todas as pessoas que, de um jeito ou de outro, ajudam a construir o que se tem por supercidade. Somos uma tribo de desenvolvimento social, econômico e político. Passos largos em uns e curtos em outros, mas somos o que somos. Temos contradição em ser um dos menores em território na região, mas somos o segundo maior espaço urbano do Ceará. Temos um Produto Interno Bruto (PIB) de orgulho, mas temos uma das maiores desigualdades sociais do estado.

Construção civil e empregabilidade em alta, carros luxuosos nas ruas e uma população aproveitando a boa fase da economia nacional, que repercute tão bem por aqui. A cidade que possui o maior número de pessoas ligadas à cultura no Brasil. É um misto de tudo de bom e de ruim. Pra ser sincero, tentar fugir do estereótipo da religião pregada pelo patriarca da cidade é negar a si mesmo. Então, vamos lá.

Temos níveis de insegurança tão altos quanto grandes centros urbanos espalhados pela nação, mas, apesar de todos os lados podres daqui, atraímos mais de dois milhões de pessoas por ano que buscam, no solo da terra santa Juazeiro do Norte, a proteção fiel e a busca de todas as manifestações religiosas que aqui existem. Carregamos o título de Capital da Fé e o marco histórico de sermos um dos maiores centros religiosos do Ocidente. Nem de longe quero mudar sua opinião sobre esta cidade, mas também não quero deixar de falar do quanto é bom morar numa das cidades mais caóticas e acolhedoras desse planeta.