quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sem chão

Saiu. Soltou a bomba e saiu. Despejou o veneno sob meus braços, aturdindo-me. Agora, desnorteada, faço caso do mundo lá fora. Que se explodam! O conteúdo do envelope dizia bem. Traduzia todos aqueles momentos em que seus olhares fixos e tenebrosos agarravam-me pela perna. Tudo agora fazia sentido, embora sentido não fosse o sentimento exato. Calafrios, cada vez mais frequentes, anunciavam o que estava por vir. Ou o que estava por ir.
Sentada, mas ainda sentindo o chão se abrindo sob meus pés. Aquela palavra... Não consigo sequer pensar naquela palavra, ou em todas as outras palavras subsequentes que passo a esperar. O que seria do futuro? Do meu futuro. Há três semanas completei meus vinte anos de idade. Sempre esperei que a felicidade da data se alongasse por tempos e tempos. Mas desde dias antes eu já não tinha o que comemorar. Quanta desgraça para uma só vida! Por que logo na minha vida?
Ele voltou com o copo de água, agindo como se nada houvesse acontecido. Com sua voz serena e detestável. Talvez usasse deste artifício para acalmar-me. Mal sabia que estava me dando nos nervos! Agora, uma vontade enlouquecedora de explodir junto com o mundo lá fora.
– Calma. – ponderou. – Respire fundo.
Calma, meu senhor? Calma? Respirar para quê? A vontade que eu tenho agora é de definhar sob o destino que me foi reservado. Destino... Em pensar que cheguei a acreditar que quem o escrevia fôssemos nós. Eu jamais escreveria tão triste fim. Jamais escreveria tão triste capítulo para a minha história. “Calma”. Calma. Calma. Calma. É tudo o que tens para me dizer agora? E agora, cadê sua maestria? Como eu posso manter-me calma nessas condições?
Vinte anos. Vinte anos recém-completos e uma vida ameaçada, por um triz. Esta sou eu, morrendo aos poucos e cada vez mais, em queda livre, desde hoje, desde agora. Sou Mariana Arraes, tenho 20 anos e uma “laranja cancerígena” na cabeça.

domingo, 27 de novembro de 2011

Protesto / Vandalismo

Independente do partido político, toda e qualquer ação governista da esfera pública, tida como melhoramento da qualidade de vida ou urbanística de determinado local, vem do dinheiro público, obtido através de impostos e taxas elevadíssimas de juros. Destruir ou depredar qualquer tipo de patrimônio público, por exemplo, é mais que uma possível forma de “protesto”, é vandalismo disfarçado.
            
Um exemplo bem característico deste crime está acontecendo em Juazeiro do Norte, no interior do Ceará. Ainda não se sabe a identidade dos autores, tampouco se há algum mandante, e se este está ligado a algum partido político da oposição, o que se sabe, porém, é que as 500 palmeiras plantadas nas principais vias juazeirenses estão sendo cortadas, e placas de publicidade da prefeitura estão sendo danificadas com óleo. A denúncia foi feita pelo prefeito de Juazeiro, o petista Manoel Santana, através do seu perfil no Facebook.
De acordo com a denúncia do prefeito, cerca de 70 palmeiras já foram cortadas, e, junto a elas, parte do dinheiro investido na plantação. “Estamos pedindo a colaboração dos cidadãos de bem de Juazeiro do Norte para que possamos identificar quem são os autores e quem sabe até possível mandante ou quem sabe até mandantes destes atos [sic]”, apelou o prefeito em sua publicação na rede social.
Muito além de palmeiras e placas publicitárias, a população juazeirense precisa estar atenta a todo e qualquer ato de vandalismo na cidade. A depredação dos patrimônios públicos está visível nos bancos das praças, nos telefones públicos, nos monumentos espalhados pela cidade e em vários outros ambientes. Não se trata de uma brincadeira de mau gosto, de protesto ou “intervenção urbana”, trata-se de vandalismo. Trata-se de crime!
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Serviços Públicos (Semasp), o investimento para o melhoramento paisagístico das avenidas Padre Cícero e Castelo Branco, com a plantação das mudas de palmeiras da espécie Havaí, conhecidas como mini palmeira imperial, custou cerca de R$ 24 mil ao cofre municipal. Desse total, R$ 3,408, que equivale as 71 palmeiras destruídas, totalizam o prejuízo dos cortes.
Vale lembrar aos criminosos que as penalidades do crime de vandalismo ao corte das palmeiras e danificação das placas, de acordo com o artigo 163 do Código Penal, consiste em detenção de 6 meses a 1 ano, ou multa. Ainda em relação às plantas, o ato também consiste em crime ambiental, cuja penalidade varia em ser restritiva do direito ou privativa de liberdade.

Do Norte

Imagine o quanto se gasta para a realização de um plebiscito. Seja de cunho nacional, estadual ou municipal. Imagine a quantia gasta nas campanhas, na logística, segurança, transporte e apuração das urnas. Imaginou? Pois bem, o plebiscito é uma forma interessante e bastante democrática de avaliar o desejo da população sobre determinada questão. O que não agrada, entretanto, é quando questões como mudar o nome de Juazeiro do Norte para Juazeiro do Padre Cícero entram em questão.

Falta de criatividade ou fanatismo exagerado, o que se vê em Juazeiro do Norte é a quantidade absurda de “homenagens” àquele que fundou a segunda cidade mais importante do Ceará. Muito se deve ao Padre Cícero pelo crescimento e reconhecimento de Juazeiro, mas partir para o ridículo de querer mudar até o nome da cidade para prestigiar o “padim”, chega a ser abusivo.

O projeto de mudança do nome partiu da ONG juazeirense Anjos Solidários. O que irrita, neste caso, é que, enquanto se preocupam em mobilizar toda a cidade para aderirem à ideia absurda, crianças, adultos e idosos sofrem com a miserabilidade que lhes assomam. É bem verdade que a ONG também faz por esses cidadãos desfavorecidos, mas também é verdade que mudar o foco de ajuda para uma campanha tão insignificante é revoltante.

E não é partindo do princípio do dinheiro que eles gastam para promover “Juazeiro do Padre Cícero”, mas sim o dinheiro que a população gastaria para realizar um plebiscito que não acrescentaria em nada à cidade. Já imaginou o quanto de pessoas carentes, que vivem em miséria plena, se beneficiariam com o investimento do dinheiro gasto no possível plebiscito? Não resolveria por completo, mas já seria um passo dado.

O pior é que a inutilidade do projeto não para por aí. Para garantir a realização da consulta opinativa dos juazeirenses, será necessário gastar o pouco tempo de trabalho da câmara de vereadores de Juazeiro do Norte, afim de que os representantes do município possam votar na possível execução projeto. Tempo este que poderia ser gasto na aprovação de leis que trouxessem maior qualidade de vida para a população, por exemplo.

Padre Cícero que me desculpe, mas esta cidade não foi nem nunca será dele. Antes da sua chegada, ainda batizada como Tabuleiro Grande, Juazeiro do Norte já existia. As homenagens que o município poderia lhe dar já foram feitas através de nomes de avenidas, pontos comerciais, e até mesmo com a construção do terceiro maior monumento em concreto armado do mundo. Juazeiro é bem mais que a cidade do suposto padre milagreiro, Juazeiro tem história e autonomia suficiente para ser apenas “do Norte”.

sábado, 26 de novembro de 2011

Ponto

Eu até poderia me sentir mais vivo, se não destruísse os sentimentos alheios. Poderia me sentir mais vivo, se não matasse um pouco de mim a cada instante. Poderia me sentir mais vivo, se eu não estivesse tão ocupado em não perder tempo comigo mesmo. Passei a ser o tipo de parasita que suga e fere como quem beija e abraça. E tudo o que eu pressentia era ser especial.

Enquanto respirar era sacrilégio, a vida tratava de lhe dar as lições mais jurássicas que houvera de existir. Na mentalidade, a infâmia de já não pensar, desistir de si mesmo era a pior derrota já sofrida. Das piores espécies às mais tranquilas. Viver era de uma inutilidade sem limite.

Sem drama, sem lágrima e com cabeça erguida... Viver a vida de participação especial, contentando-se com o que sufoca. Assim, sem mais.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Saudade

Se até o feitiço cai por cima do feiticeiro, o desejo que eu senti ontem recaiu sobre mim. Hoje foi como um daqueles dias que começa diferente. Tudo diferente. À noite, por fim e por mim, tudo terminaria da forma mais tranquila. Valeria a pena ter vivido o dia de hoje. Valeria a pena ter vivido. Valeria?
Hoje é também um daqueles dias em que paro para pensar se faço por bem e pro bem. Ao passo que me sinto mais certo, sinto-me menos necessário. Qualquer “não” é um alvoroço perturbador. E tudo o que eu queria era me sentir mais agradável. Tudo o que eu queria era ser mais agradado. Até que ponto as barreiras do outro não são as suas próprias? Até que ponto se pode ou se quer mudar pelo outro? Até que ponto as perguntas fervilharão à mente?
E toda a dramaticidade volta a atormentar...
É aí que está a minha válvula de escape. Sofrer por antecipação e sofrer mentalmente. Já perdi a conta de quantas vezes a palavra suicídio perturbou meus sentidos e sentimentos. Não cabe nas mãos a quantidade em que a invalidade valeria mais que eu. De tanto reclama e de tanto faz. Ali, desfocado, valorizado pelo uníssono desprezo. Sentir para quê? Qual a valia?
Em postes, em árvores, em diferentes formas. Ali estaria eu, já não estando mais em lugar algum. Quem sabe, algum dia, a inexistência sufoque de saudade.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Recompor

A mistura perfeita para atitudes impensadas. Ali estava eu, deitado na cama, sonhando baixo. Bem abaixo da terra. Um drama inconsciente com desejo de consciência plena. Os faróis ligados indicavam uma direção finita e o som da buzina estendia-se espaço afora pelo peso que a minha cabeça exercia.
Ali, recostado e inerte, o corpo de um jovem de vinte anos descansava em paz. Na paz que tanto buscou, alcançada despretensiosa e intencionalmente. Num paradoxo mortal e reconfortante. Ali, pousado no infinito, sentia a plenitude de uma vida inteira repassada trás sonhos, perspectivas e desilusões. Como todo ser humano, enchera-se de dor e alegria.
Naquela barreira indestrutível, deixou escapar o controle do seu corpo e da sua alma. Entregue, a vida já não fazia sentido há tempos. Mas ali, eternamente ali, seria lembrado pelo trágico fim que seu destino tomara. Na última parada, sequer a chance de encontra-se consigo próprio.
Transpassado de agonia, a certeza de que os olhos abertos já denunciavam a chance de uma retomada espetacular.

sábado, 5 de novembro de 2011

Mais de cem motivos para não comemorar o centenário

Cercada de misticismo, Juazeiro do Norte nasceu e cresceu sob a proteção do seu fundador, primeiro vigário e primeiro prefeito: Padre Cícero. Cem anos após a independência política da vizinha cidade do Crato, a capital nordestina da fé está entre as cidades mais importantes do Brasil e do Nordeste, sendo, ainda, a segunda mais importante do Ceará, e a mais importante da região do Cariri.
Vindos de fora, romeiros de todo o Nordeste brasileiro celebram a vida e morte do conselheiro do sertão. Vindos de longe, brasileiros e estrangeiros dedicam-se a estudar e compreender o fenômeno religioso, econômico e social presente na cidade erguida com preceitos de fé, religiosidade e cultura popular. São mais de 250 mil habitantes, segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vivenciando toda a dinâmica local. Numa eterna conciliação entre o passado, o presente e o futuro, Juazeiro alia desenvolvimento e futurismo ao caráter provinciano de uma cidade do interior cearense.
Milhões de motivos, dentre eles o fato de ser filho desta terra e afilhado do seu patriarca, e por isso, aqui vai uma pequena homenagem aos cem anos do maior centro de religiosidade popular da América Latina.
O segundo maior destino de turismo religioso do país merece atenção não somente pela bela história conquistada em tão pouco tempo de existência, tampouco pelos belos status conquistados durante este tempo, mas pelos problemas comuns e específicos que parecem ser esquecidos pela sociedade, em especial, a juazeirense.
Com toda essa pose de supercidade, Juazeiro do Norte enfrenta problemas sociais como toda cidade brasileira. A população e o poder público gabam-se dos números e dos depoimentos positivos que maquiam as dificuldades e as vergonhas que nela existem.
A criminalidade, assim como o desenvolvimento desordenado, tem crescido de forma assustadora. Mas, ao contrário do urbanismo e construções civis, o crime tem estado mais bem organizado, superando, de maneira eficaz, o combate irrisório das autoridades competentes. Ainda assim, julgar prefeitura e polícia, por mais que seja o caminho mais prático, é insuficiente para resolvermos esta questão. Incluo-me na condição de juazeirense, como um dos responsáveis por esta problemática. Até quando fingiremos não ver que crianças e adolescentes “cheiram cola” nos semáforos de entrada e saída da cidade, por exemplo? Até quando as ONGs locais se preocuparão mais com a possibilidade da mudança de nome da cidade para o envergonhoso e fanático “Juazeiro do Padre Cícero”, do que com os pequenos protagonistas do nosso futuro que estão à mercê de uma sociedade hipócrita?
Não, meus caros. Não está nada bem por aqui. Não temos tantos motivos para comemorar os nossos cem anos de emancipação política. Os números fantasiados de boas notícias nem sempre ajudam a combater as problemáticas locais, muito pelo contrário.
Fingir que ficou tudo bem, só porque a praça localizada na entrada da cidade ficou bonita, porque palmeiras enfeitam as principais ruas e porque o nosso principal cartão-postal, a estátua de Padre Cícero, foi restaurada, é mais que canalhice por parte da população, é uma forma idiota de assinar atestado de burrice.
Para onde foram parar as acusações de corrupção na prefeitura? Prefeito e vice, presidente da câmara de deputados e vereadores envolvidos, constantemente, em escândalos de falcatruas, desvio de verbas públicas entre outras atrocidades. Memória curta e burrice, brasileiros, são características completamente diferentes.
Agora, você que mora, conhece ou visita frequentemente a cidade de Juazeiro do Norte pode, finalmente, após lembrar e discutir algumas das questões aqui colocadas, dar felicidades ou não para os cem anos da cidade que concilia progresso à regressão como poucas o fazem.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sagaz

De todas as ações existentes, encontrar o equilíbrio em si próprio é uma das mais difíceis de realizar. Encontrar coisas boas num mundo de imperfeição é pior que encontrar agulha no palheiro. Para encontrar este equilíbrio, faz-se necessário obter objetividade e cumplicidade consigo mesmo. Mas aí está o grande desafio...

Encontrar objetividade em si mesmo, mesmo quando as palavras que se seguem ao longo dos dias nem sempre são aquelas que te fazem viajar por um mundo surreal, no qual a felicidade é ingrediente indispensável para o respirar. Imaginar-se em palavras e sentimentos desapropriados de uma voz que te faz calar e que martela na sua mente a ideia do quão inimaginável idiota você pode ser.

A hibridação de palavras doces e amargas que me fazem imaginar que a dualidade de expressões sinceras podem se convertes no que a gente menos espera, mas que sempre pensou. Se isso é bom ou ruim, vai depender da quantidade de estilhaços daquilo que pulsa. Imaginar, porém, um mundo repartido em seis e em seus, ninguém quer. Sonhar devaneios e loucuras arrasadoras, daquelas que te prendem a uma liberdade conquistada, você jamais quis.

Mas eu não deixo de me culpar, sei muito bem que a inconstância dos meus sentimentos, das minhas sensações e ações também irrita. O fato é que, por mais louco e doentio que possa parecer, este sou eu, o mesmo do amor incondicional e enfrentador dos medos já obsoletos.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Com bordas de ouro


Como julgá-los pelo crime que cometeram. Se até agora ninguém o fez, eu é que não me meto nessa confusão. Perdoe-me por isso. Mas não posso. Perdoe-me pelas poucas e simples palavras, mas garanto que elas são de coração. Vêm lá do fundo, do fundo da minha caixinha de veludo vermelho. Perdoe-me, mas não posso.
Vamos nos ater a nós dois, à nossa realidade, ao nosso relacionamento. Vamos esquecer que o mundo lá fora pira, enlouquece e se desespera com o caos. Lembra-se do nosso primeiro beijo? Do nosso primeiro “eu te amo”?
Ainda assim, sinto-me culpado pela simplicidade. Quisera eu poder, em palavras mais rebuscadas, narrar e detalhar a força do sentimento que sinto por você. Não posso. A culpa não é minha, é deles. Não posso abrilhantar este texto com palavras complicadas que facilitam o entendimento de nós dois. Perdoe-me, mas não é culpa minha.
Veja o céu. Veja como ele sorri para nós dois. É fácil entender, amor. Veja as nuvens deslizando calmamente pela imensidão dos nossos dias e pela infinidade de nós dois. Veja os pássaros que voam, levando e trazendo as loucuras, os devaneios e nossas emoções.
Agora, sem pressa, veja-se no espelho. És o reflexo do meu amor, do meu mais nobre e sincero sentimento. Veja. Admire-se.
Desculpe-me, amor, se os poetas roubaram-me as palavras mais lindas. A culpa não é minha, nunca foi. Apesar deste crime, a simplicidade do “nós líricos” traduz e assemelha-se à realidade. Eles não têm recompensa, mas nós... ah, amor! Nós temos a melhor de todas. De que importa as palavras rebuscadas que eles roubaram de mim, se o que nos interessa são nossas experiências e nossos sentimentos aqui assinalados. Quem precisa de tudo isso, se já temos um ao outro?
Nenhuma frase, simples ou rebuscada, tem mais verdade que o nosso, e apenas nosso, “eu te amo”.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Canção

Embala, encanta, emana. É sentimento à flor da pele e sobre letras e partituras cantadas. São notas musicais dos mais variados tons que narram a nossa história. São elas, tão simples, sozinhas, que cantam os nossos fatos e revelam nossas experiências.
Pare e ouça a leveza dissipada. Recolha as formas, o conteúdo, os fragmentos. Una-os aos nossos sonhos, aos nossos fatos, desejos e sensações. Guarde. Aguarde.
São flores, amores, sabores e fixações. São histórias, sem hora, embora nem tudo esteja ao nosso favor. Esqueça a dor, exalte o amor. Rimas perfeitas e sincronias avassaladoras.
Quem precisa entender, senão apenas nós dois? Agarre-se às notas. Guarde-se e aguarde o tempo passar. Para que pressa? Rebusque-se.
Sinta, agora, o estopim. Sinta, agora, o que há em mim. Deixe-me, então, mergulhar o mais profundo possível no seu coração. Vasculhar seus sentimentos e transbordar emoção. Levitar no nosso som, na nossa voz. Vamos usar o tom para uma pintura. Desenhar, dar formato, cor e até sabor ao que se passa, ao que se ouve, ao que se cheira, ao que se sente.
Sem pressa, amor. Sem pressa. Olhe para frente, veja no horizonte distante e infinito o tempo que ainda temos juntos. Aproveite os detalhes. Sinta, aqui, toda a magia do que se passa nas letras. É hoje e será amanhã... Nossa união, ao som da nossa música, soará como amor, com o nosso sabor. Sinta. Apenas sinta.

Viagem

   E lá se foi, com destino e rumo certos. Inspiração no ponto. Foi-se com pressa, com saudade e com ternura. Foi sem medo. Cheio de certeza. Muralhas, barreiras, pedras, obstáculos, dificuldades... Tanta coisa por enfrentar, e tanta coragem e força para resistir. Sol, chuva, céu, chão. De que importa o tempo e o meio?

                E lá se foi, sozinho, cheio de pressa, cheio de desejo. Foi-se veloz.

            Numa ponte frágil, num solo firme, sobre o asfalto e sob o céu. Foi-se descalço, completamente desnudo, mas vestido dos mais puros e sinceros sentimentos. Abusando das mais absurdas expectativas, com a certeza de que o elo entre o utópico e a realização é facilmente percorrido. Aproveitou o que pode, transformou o que viu. Do caminho, tirou as inspirações mais apaixonantes e as mais belas palavras. Formou consigo frases cheias de efeitos. Ansiedade para declama-las.

           Em verso ou prosa, ali estava ele, de corpo e alma, pronto para cumprir seu destino. Como orientado, chegara sem demora, cheio de cor, cheio de verdade.

            E aí chegou. Chegou o que nos une, o que nos aproxima, o que nos torna apenas um. Chegou, para ti, o meu pensamento. Sem limite de intensidade ou intenção, se declara para ti. É seu. Seu. Apenas seu. Toma. Guarda. Repousa e me manda igual. Minha caixinha de veludo vermelho espera por isso. Só por isso. Saber que distância e razão são empecilhos redundantes e desapropriados. São forças insipientes, que insistem em atrapalhar. Tontas! Mal sabem a animosidade que nos dão.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

(Des)Apropriação

Assim como os peixes, as pessoas viajam e navegam mundo afora. Assim como os peixes, flutuam sobre espaços inimagináveis, tornam-se grandes pela grandiosidade do ser. Assim como os peixes, as pessoas vivem em busca do nada, em lugar algum. Vivem sem se preocupar com o que fica pra trás, com o que passou.
Diferente dos peixes, as pessoas não sabem dar a volta, olhar para trás com olhos de quem tenta corrigir os erros. Diferente dos peixes, as pessoas formam grupos pequenos, seletos. Diferente dos peixes, as pessoas esquecem que, para flutuar, algo maior está por trás. Como quem age de forma espontânea para lhe ver voar, flutuar e sentir toda a sensação capaz de sentir.
Se até as piranhas se respeitam, por que não se faz o mesmo entre os homens?
Diferente dos peixes, os “cardumes humanos” não criam forma, mas conceitos e preconceitos e ideologias errôneas e difamadoras. Ainda assim, iguais aos peixes, as pessoas estão sempre atentas, observam detalhadamente os espaços sociais, tentam se proteger de qualquer forma contra os “predadores”.
Mas se até os tubarões convivem em harmonia, por que os homens insistem nas relações de poder?
O fato é que, de uma forma ou de outra, disforme e conforme a situação, os homens se espelham nos peixes de forma incongruente, adaptando a parte ruim, protegendo-se de ataques imaginários e atacando supostos concorrentes. Uma herança como essa, rica e específica, não pode ser tratada como se quer. Porque, diferente dos peixes, os homens não sabem nadar pacificamente, tampouco aproveitar o que lhe é dado. Burramente. Cegamente. Incoerentemente.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Direção firma compromisso com estudantes


Alunos questionam diretor do Campus. (FOTO: Marcio dos Santos)
Alunos do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará – Campus Cariri (UFC-Cariri),usaram o espaço de um stand, montado para a Feira das Profissões, para realizar um protesto pela criação da estrutura necessária para a existência do curso. O reitor da Universidade, Jesualdo Farias, visitou o Campus nesta sexta-feira, 23, onde os estudantes explanaram sobre suas necessidades de um ensino de qualidade.
 Os principais problemas enfrentados pelos alunos do curso são a falta de laboratórios para as disciplinas de fotojornalismo, telejornalismo, radiojornalismo, jornalismo impresso e ciberjornalismo, o que compromete a formação dos estudantes do 4º semestre e ameaça persistir no ano de 2012. O problema se estende nos cursos de Engenharia de Materiais, Design de Produtos e Educação Musical.
 Indignados, os alunos do 2º e 4º semestres do Curso de Jornalismo conversaram com o reitor e com o diretor do Campus, Ricardo Ness, expondo as necessidades mais urgentes na unidade do Cariri. Durante a conversa, na presença do Reitor, Ness garantiu o início da 4º etapa do plano de construção da UFC para o mês de outubro, e com entrega prevista nos próximos oito meses. Segundo o mesmo, nesse bloco destinado ao Curso de Jornalismo, estarão todos os laboratórios completos e equipados, de acordo com as necessidades.
Promessas feitas, Reitor e Diretor deixam stand de Jornalismo (FOTO: Marcio dos Santos)






Texto: André Alcantara, Danielle Feitosa e Isaac Macedo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

É desabafo mesmo

A linha tênue entre a razão e emoção, tantas vezes proclamadas em canções, poemas, crônicas e outros estilos linguísticos, agora paira sobre mim. São dúvidas e mais dúvidas, acrescentadas a um toque mágico de incerteza e insegurança. A única coisa concreta é a pergunta que insiste em martelar meus pensamentos: “O que eu fiz?”.
Largando a hipocrisia de que se eu estiver com a consciência limpa, tudo estará tranquilo, parto do pressuposto de que não há nada pior do que ser julgado e ignorado e esquecido por quem tanto se dava valor, sem ao menos saber a razão disso tudo. É como receber uma sentença de um juiz de direito sem ao menos saber qual crime cometeu. Vai entender!
Vai entender aonde foram parar aqueles anos de diversão e entrega. Vai entender a cabeça de alguém que dizia “Somos inseparáveis”, mas quando é posta à prova, prova o contrário. Vai entender...
            Se você consegue entender tudo isso ou não, eu só sei que os clichês de “só sei que nada sei” e “foi bom enquanto durou” fazem cada vez mais parte deste capítulo da minha vida. Enfim, talvez um fim.

domingo, 11 de setembro de 2011

Abdique

Falaram-me de um mundo ideal, cheio de perspectivas e expectativas. Nele, todos eram felizes, sorriam distraidamente. Os dias eram tranquilos, as tardes eram apaixonantes e as noites, inspiradoras. Insistiram em me contar que, lá, nesse mundo ideal, não havia brigas, calúnias, inveja, desamor e desilusão. Tudo era feito com carinho, compreensão.
A palavra que servia de combustível para aquele mundo era incerta, anômala e singular. De tão perfeito, as horas passavam lentamente, tudo cronometrado, nada a mais, nada a menos. Diversão e aproveitamento para todos. Falaram-me também que os bons – e corriqueiros – momentos eram mecanicamente gravados na memória das pessoas. Bordas de ouro para garantir o charme.
Nada, naquele mundo, era impossível. Tudo era fácil, instantâneo. Nada nem ninguém desagradavam. Todos se respeitavam, ajudavam-se uns aos outros sem qualquer tipo de segunda intenção. Já não havia calendário, desprezavam os compromissos inerentes àquela realidade. Fora feito para ser aproveitado. Initerruptamente.
De pronto, após tanta propaganda, rejeitei a hipótese de querer viver num lugar assim. Que valor poderia haver um lugar no qual tudo era simples, fácil e nada era conquistado pelo próprio suor? Qual o sentido de tudo isso? Onde ficariam os dissabores que tanto nos ajudam a construir quem somos e o objetivarmo-nos no que queremos de verdade?
Mas que ideia absurda é essa? Onde já se viu um lugar tão superficial? Que tipo de ideal é este? Ideal para quem?
Mundo ideal para mim é aquele onde ninguém deva se preocupar com o outro, deixa-lo viver por si só. Os sonhos devem custar caro, aumentando significativamente o valor da conquista. A inspiração deve vir do seco, da solidão, e não somente da perfeição a dois, três, quatro ou quanto quer que seja.
Que os dias passem rápido, as horas, minutos e segundos corram para acompanhar o meu desejo de viver. Que aqueles que desejam atrapalhar o meu caminho, com tanta calma acumulada ou lerdeza aflorada, tratem de me dar passagem. O meu mundo ideal apenas exige o respeito, o amor e a verdadeira amizade.
Ideal é saber aproveitarmos a realidade e sabermos o limite de sonhar com utopias. É capturar os segundos inesquecíveis e libertarmos as vidas aprisionadas. É amar sem medida, é ser quem se é.
Sorrir com o que realmente vale a pena, e não desperdiçar alegria com momentos e pessoas que não mereçam. É voar sem rumo, sem direção, mas ainda assim em busca de um objetivo. Saber saltar as dificuldades e colocar as barreiras diante de si, fazendo com que elas admirem o seu tamanho e sua força.
Viver de utopias, meus caros, é negar que a vida lá fora passa e não volta. É rejeitar que as oportunidades só passam uma vez. É fechar os olhos para a perfeição diante de tanta desgraça.
Aproveitar o hoje, o agora, o sempre. Seja como for. Apenas aproveitar.

Desatenção

O Sol até pode ser maior, mais intenso e mais luminoso, mas a magia que a Lua oferece é ainda mais grandiosa que tudo isso. Exala romantismo, paz, aconchego, sossego. Exala nosso perfume, nossas emoções. Exala-nos.
           Um jardim até pode ser mais bonito, mais cheio de cor e de perfume, mas a cor que uma rosa destaca em meio ao nada, o significado que ela traz consigo, sua simplicidade absoluta e complexa, sua beleza e delicadeza, são ainda mais significante do que tudo isso. Ali está nossa essência, nossa sensatez... ali está nós dois.
          Um poema, com tantas palavras, tantos sentimentos, tanta verdade, tanta dedicação, não consegue superar a verdadeira emoção de uma única palavra que, mesmo sem ser pronunciada, consegue traduzir todo o momento, os planos e pensamentos.
           Amor, diga-me o que pode ser mais grandioso que nós? Diga-me o que pode significar mais que o nosso sentimento? O que, na mais plena consciência alheia, tem mais importância que um ao outro? Aonde foram parar a luz, a magia, o romantismo, o aconchego, a paz e o sossego? O que fizeram com a cor, o perfume, o significado, a simplicidade? Por que temos que nos culpar pelos erros alheios?
            Por que eles dificultam as suas vidas e as nossas? Qual o problema de viver por si, para si?
            Ainda assim, em meio a tanta displicência, a vida passa, sem aviso, sem remorso, e os outros fingem não perceber. Onde está a sensatez deles agora? Mas que falso moralismo é este?
            É, amor, em meio a tudo isso, a tanta guerra lá fora, tanta tristeza e desamor, a única coisa que posso dizer é que tenho orgulho de te ter comigo, de saber que nossa vida nos basta, e ter pena deles.
            Mas, sem mais, por quê?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

09 S.

Descontentamento é, de longe, a palavra que melhor define a infinita significância da decepção. Em suma, é quando os seus sentimentos são tratados como algo tolo, do tipo desprezível e rejeitável. É como se os esforços fossem para o chão, arremessados numa velocidade que, somada à força gravitacional e à massa, despedaça por inteiro tudo aquilo que se sente.
Ainda assim, de forma surreal e inexplicável, nada diminui. A compreensão se apodera, mesmo quando não se é compreendido. A dor e o descontentamento ficam, mas a calmaria trazida pelo sentimento verdadeiro é maior, mais eficaz e vale a pena.
É tratado como besteira e tolice quando se sente trocado. Por mais que seja procurada, a compreensão se desvanece, sem ao menos dar às caras. E aí a confusão se forma, de tão taxado, você não sabe se é certo ou é mais um “escândalo desnecessário”.
Em meio a tanta tormenta, uma data especial teria a missão de desfazer toda a adrenalina e coisa e tal. Em vão. Não basta ser trocado por quem mais se quer, tem que ser ignorado por quem mais se quis. Mas, e aí, onde esteve tanta cumplicidade, tantas promessas e histórias falsas de que tudo seria eterno, passasse o tempo que passasse.
Asas quebradas, inutilizadas e desvalorizadas. A rejeição do próprio eu. Confusão, alarde, balbúrdia e sinônimos afins. Mas, e aí, onde tudo foi parar?
Entre tantos atos, um deles é capaz de incomodar e machucar mais.
Um nada. Um tudo. Silêncio...
A passagem do mais pro menos, mesmo sem ajuda de qualquer ensinamento da matemática. Quem precisa disso na melhor demonstração de positividade e negatividade? Mas, e aí, o que realmente significa tudo isso?
Subjetividade é bem mais que a simples capacidade de nada ser capaz, é também o mistério a fio de tudo. Saber fazer, saber compreender, saber entender... simplesmente saber.
Mas, e aí, fazer o quê?
Olhar pra cima, pra frente, pros lados... Mas e o que passou? Facilmente utilizar uma borracha e fingir que aquela ferida não passou de uma desilusão perdida. Mas, e aí, e aquela história de aprender com os erros?
Mas se já não me resta moral, que ao menos eu possa soltar os balões e enxerga-los voar o mais alto onde minha vista possa alcança-los. É de lá, sem titubear, que as respostas virão.
Mas, e aí, o que resta senão esperar a dor passar? 

Passado imperfeito


Não se trata apenas de um tempo verbal no qual as ações não foram completadas. Mas de toda uma história cujo fim se dissipou no meio do caminho. Cujos planos, de tão cedo pensados, desvaneceram-se em uníssona constante. Trata-se não somente de um futuro perdido, mas de uma vida que deixou de ser conquistada. Trata-se, entretanto, da perda imatura.

O passado imperfeito é bem mais que um tempo acomodado, desiludido e incompleto, é a reflexão necessária para darmos perfeição e qualidade ao presente, para que, no futuro, possa-se olhar para trás e enxergar uma vida repleta de sobriedade e tarefas realizadas, sonhos vividos e desejos saciados.

Bem mais que saciar as vontades, é transformá-las em mais-que-perfeito. Tudo valeu a pena, tudo satisfez como imaginado. Tudo, absolutamente tudo, foi capaz de transbordar os sentimentos de complexidade e simplicidade do interior.

Transformar o passado imperfeito está bem mais dentro do nosso alcance do que se pode imaginar. Aperfeiçoar o passado é dizer “te amo” quando a vontade rompe o peito, é abraçar alguém que precisa de afago nos momentos tristes e felizes, é saber viver como se o amanhã fosse hoje, e tudo que já fora conquistado estivesse sob risco. Aperfeiçoar o passado é decepcionar-se, é rir, é chorar, é viver.
 
Aperfeiçoar o passado é, sem dúvida, a maior missão que se pode ter. É fazer com que o presente se orgulhe e o futuro se espelhe nos erros e acertos do passado.