quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Recompor

A mistura perfeita para atitudes impensadas. Ali estava eu, deitado na cama, sonhando baixo. Bem abaixo da terra. Um drama inconsciente com desejo de consciência plena. Os faróis ligados indicavam uma direção finita e o som da buzina estendia-se espaço afora pelo peso que a minha cabeça exercia.
Ali, recostado e inerte, o corpo de um jovem de vinte anos descansava em paz. Na paz que tanto buscou, alcançada despretensiosa e intencionalmente. Num paradoxo mortal e reconfortante. Ali, pousado no infinito, sentia a plenitude de uma vida inteira repassada trás sonhos, perspectivas e desilusões. Como todo ser humano, enchera-se de dor e alegria.
Naquela barreira indestrutível, deixou escapar o controle do seu corpo e da sua alma. Entregue, a vida já não fazia sentido há tempos. Mas ali, eternamente ali, seria lembrado pelo trágico fim que seu destino tomara. Na última parada, sequer a chance de encontra-se consigo próprio.
Transpassado de agonia, a certeza de que os olhos abertos já denunciavam a chance de uma retomada espetacular.

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