segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Entrega

“Que bom que superamos mais uma crise, não é?”. Essa frase me pagou de surpresa. Eu estava completamente desarmado. Talvez minha reação não tenha sido a esperada, mas eu posso garantir que fiquei radiante com a notícia. Só conseguia sorrir e repetir milhões de vezes aquela frase em minha mente. Foi assim até conseguir pegar no sono naquela noite.
           
Era tudo o que eu mais queria ouvir desde três semanas atrás, quando finalmente pensava estar tudo bem. “Não estava tudo bem, mas agora estamos ótimos! E isso eu posso garantir!”. Pronto. Podia o tempo correr, os dias passarem... Podia acontecer tudo, mas eu só conseguia pensar no fantástico que era ouvir o que eu tanto queria. O verdadeiro remédio e curativo para tantas dores finalmente chegou.

Desde então, tudo foi mais azul, teve mais cor. Os pássaros faziam verdadeiras sinfonias e coros com cânticos agraciados de tanta beleza e sonoridade expressiva. As buzinas dos carros eram como orquestras que denunciavam a alegria presente, que pairava sob meus pensamentos. Pode parecer bobo, infantil e romance adolescente. Pode ser. E por que não?
            
Diversos obstáculos, pedras no caminho e no sapato, trechos de trilhas tortuosos, e infinitas adversidades para enfrentar. Mas, aqui estamos nós, com bateria recarregada, sorriso no rosto e amor no peito, dispostos a enfrentar tudo o que houver nesse mundo pelo outro, seguir olhando apenas para o horizonte. Seguir de mãos dadas.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Forma e conteúdo

É bem diferente do que estamos acostumados a ver. A gente se posicionar bem em frente; coluna ereta, olhos bem abertos, pés firmes no chão, e podemos enxergar não apenas um reflexo, mas toda aquela ‘parafernalha’ invisível que habita nosso interior. Damos o nome de sentimento às diversas sensações que proporcionam a formação exterior da nossa imagem atual.
            Agora, preste [bem] atenção! Um espelho que reflete tudo isso, além de sensacional é primordial para alguns dos momentos mais difíceis de nossa vida. Buscamos respostas naquilo que está longe e nos parece inalcançável, apressamos pensamentos e forçamos uma solução rápida, pronta! Tolice.
            E aqui estamos nós dois. Lado a lado, frente a frente com nós mesmos. Eu não te vejo no espelho nem você me vê, mas descrevemos um ao outro tudo o que podemos enxergar. As dúvidas se somam e assombram. As suas às minhas. Tudo parecia bem do jeito que estava e nosso Katrina de emoções veio para fazermos refletir. Os riscos, a melancolia, a saudade, a expectativa e os desejos. Tudo num só recipiente.
            Frente a frente, de um para o outro, as lágrimas que correm, os olhos que brilham e a noite que cai. Cenas de um filme perfeito, com final infeliz. E ali estávamos nós, apressando e atropelando tudo.
Não!
Melhor parar para pensar. Tudo valeu a pena e pode seguir assim.
Para que a pressa e desespero? Dentro de nós, ainda que disforme, está o nosso melhor reflexo. Está a resposta para cada pergunta. Estamos nós mesmos, dispostos a enfrentar cada passo, aceitando cada consequência. Acima de tudo, ali estamos nós, acreditando num futuro bom, recheado de boas surpresas e um amor para nos acompanhar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Desabafo

Uma maneira fantástica de superar as coisas. Fazê-las primordiais e descartáveis, numa primazia singular. Tudo parece como sempre foi, não vejo problema em sê-lo. E talvez aí esteja o problema. Mas a forma de descartar... essa, sim, me parece estranha.

Representar um sentimento nobre, mas que não corresponde a nossa verdade, é fazer-me sentir esquecido e ignorado. Ainda que te seja fácil, eu não consigo esquecer tantos milésimos em que tínhamos que ser outros e agirmos tão diferente. Tamanha despreocupação chega a me tirar e a forçar falsas expectativas, e até mesmo sofrer com antecedência futuras possíveis decepções.

            Ainda assim, nessa crise, nesse inferno astral, é como se uma parede de vidro impedisse o desejo e a verdadeira vontade. É como se não houvesse resposta. Nada mais que atípico. Nada mais que estranho. Nada mais do que o que eu sinto.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Janeiro

,talvez pareça como Outubro, quando tudo enegrece para mim. Ainda que tenha validade, as marcas que carregarei ao longo dos tempos sinalizarão com maestria a dor e a estranheza de se ter e não possuir. E mesmo que digam que o tempo cure e apague as feridas, eu sei o quanto o “senhor curandeiro” está em falta comigo.

Sorrir sem motivo, gargalhar sem motivo, suspirar sem motivo. Poucas horas e tanta falta. Fantasmas que assombram e se engrandecem nas suas palavras de insegurança insistem em permear a áurea do que se tem por nós.

Como fingir não existir uma coisa tão real, tão presente e ascendente? Ainda que caprichoso, é como se uma borracha tentasse desmoronar todas as linhas que tracejam a nossa história, que completam a nossa ponte e desenham as nossas formas.

Agora o relógio já marca 22h30. As primeiras horas de uma quarta-feira atípica, desde pouco mais de nove meses atrás. Nunca vivi tanta estranheza e anormalidade. Nunca imaginei vive-la...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Tradução

Maldito sentimento dos fracos! Tudo vira decepção. Tudo transforma em desânimo. Com tanto tempo de prática, eu deveria estar acostumado. Mas o problema é que não depende completamente de mim. Quando penso que estou evoluindo, a distância, o desinteresse e o desapego mostram que nem tudo é como a gente planeja.

E aí me vem a saudade dos tempos difíceis, de quando tudo me levava ao mesmo lugar: os mesmos braços. Era tudo tão calmo e pacificador. Me vem a saudade das sensações de fortaleza e toda aquela rima de “eu estarei contigo”.

Desvanece. Desaparece. Desarma. Des-alguma-coisa. Disforme. Dito. Dividido. Di-alguma-coisa. E se ao menos houvesse certeza. Se ao menos demonstrasse certeza e bem querer.

Expor tanta coisa em poucas linhas, e ainda assim... Ainda assim.