Imagine o quanto se gasta para a realização de um plebiscito. Seja de cunho nacional, estadual ou municipal. Imagine a quantia gasta nas campanhas, na logística, segurança, transporte e apuração das urnas. Imaginou? Pois bem, o plebiscito é uma forma interessante e bastante democrática de avaliar o desejo da população sobre determinada questão. O que não agrada, entretanto, é quando questões como mudar o nome de Juazeiro do Norte para Juazeiro do Padre Cícero entram em questão.
Falta de criatividade ou fanatismo exagerado, o que se vê em Juazeiro do Norte é a quantidade absurda de “homenagens” àquele que fundou a segunda cidade mais importante do Ceará. Muito se deve ao Padre Cícero pelo crescimento e reconhecimento de Juazeiro, mas partir para o ridículo de querer mudar até o nome da cidade para prestigiar o “padim”, chega a ser abusivo.
O projeto de mudança do nome partiu da ONG juazeirense Anjos Solidários. O que irrita, neste caso, é que, enquanto se preocupam em mobilizar toda a cidade para aderirem à ideia absurda, crianças, adultos e idosos sofrem com a miserabilidade que lhes assomam. É bem verdade que a ONG também faz por esses cidadãos desfavorecidos, mas também é verdade que mudar o foco de ajuda para uma campanha tão insignificante é revoltante.
E não é partindo do princípio do dinheiro que eles gastam para promover “Juazeiro do Padre Cícero”, mas sim o dinheiro que a população gastaria para realizar um plebiscito que não acrescentaria em nada à cidade. Já imaginou o quanto de pessoas carentes, que vivem em miséria plena, se beneficiariam com o investimento do dinheiro gasto no possível plebiscito? Não resolveria por completo, mas já seria um passo dado.
O pior é que a inutilidade do projeto não para por aí. Para garantir a realização da consulta opinativa dos juazeirenses, será necessário gastar o pouco tempo de trabalho da câmara de vereadores de Juazeiro do Norte, afim de que os representantes do município possam votar na possível execução projeto. Tempo este que poderia ser gasto na aprovação de leis que trouxessem maior qualidade de vida para a população, por exemplo.
Padre Cícero que me desculpe, mas esta cidade não foi nem nunca será dele. Antes da sua chegada, ainda batizada como Tabuleiro Grande, Juazeiro do Norte já existia. As homenagens que o município poderia lhe dar já foram feitas através de nomes de avenidas, pontos comerciais, e até mesmo com a construção do terceiro maior monumento em concreto armado do mundo. Juazeiro é bem mais que a cidade do suposto padre milagreiro, Juazeiro tem história e autonomia suficiente para ser apenas “do Norte”.
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