quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Com bordas de ouro


Como julgá-los pelo crime que cometeram. Se até agora ninguém o fez, eu é que não me meto nessa confusão. Perdoe-me por isso. Mas não posso. Perdoe-me pelas poucas e simples palavras, mas garanto que elas são de coração. Vêm lá do fundo, do fundo da minha caixinha de veludo vermelho. Perdoe-me, mas não posso.
Vamos nos ater a nós dois, à nossa realidade, ao nosso relacionamento. Vamos esquecer que o mundo lá fora pira, enlouquece e se desespera com o caos. Lembra-se do nosso primeiro beijo? Do nosso primeiro “eu te amo”?
Ainda assim, sinto-me culpado pela simplicidade. Quisera eu poder, em palavras mais rebuscadas, narrar e detalhar a força do sentimento que sinto por você. Não posso. A culpa não é minha, é deles. Não posso abrilhantar este texto com palavras complicadas que facilitam o entendimento de nós dois. Perdoe-me, mas não é culpa minha.
Veja o céu. Veja como ele sorri para nós dois. É fácil entender, amor. Veja as nuvens deslizando calmamente pela imensidão dos nossos dias e pela infinidade de nós dois. Veja os pássaros que voam, levando e trazendo as loucuras, os devaneios e nossas emoções.
Agora, sem pressa, veja-se no espelho. És o reflexo do meu amor, do meu mais nobre e sincero sentimento. Veja. Admire-se.
Desculpe-me, amor, se os poetas roubaram-me as palavras mais lindas. A culpa não é minha, nunca foi. Apesar deste crime, a simplicidade do “nós líricos” traduz e assemelha-se à realidade. Eles não têm recompensa, mas nós... ah, amor! Nós temos a melhor de todas. De que importa as palavras rebuscadas que eles roubaram de mim, se o que nos interessa são nossas experiências e nossos sentimentos aqui assinalados. Quem precisa de tudo isso, se já temos um ao outro?
Nenhuma frase, simples ou rebuscada, tem mais verdade que o nosso, e apenas nosso, “eu te amo”.

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