terça-feira, 27 de setembro de 2011

(Des)Apropriação

Assim como os peixes, as pessoas viajam e navegam mundo afora. Assim como os peixes, flutuam sobre espaços inimagináveis, tornam-se grandes pela grandiosidade do ser. Assim como os peixes, as pessoas vivem em busca do nada, em lugar algum. Vivem sem se preocupar com o que fica pra trás, com o que passou.
Diferente dos peixes, as pessoas não sabem dar a volta, olhar para trás com olhos de quem tenta corrigir os erros. Diferente dos peixes, as pessoas formam grupos pequenos, seletos. Diferente dos peixes, as pessoas esquecem que, para flutuar, algo maior está por trás. Como quem age de forma espontânea para lhe ver voar, flutuar e sentir toda a sensação capaz de sentir.
Se até as piranhas se respeitam, por que não se faz o mesmo entre os homens?
Diferente dos peixes, os “cardumes humanos” não criam forma, mas conceitos e preconceitos e ideologias errôneas e difamadoras. Ainda assim, iguais aos peixes, as pessoas estão sempre atentas, observam detalhadamente os espaços sociais, tentam se proteger de qualquer forma contra os “predadores”.
Mas se até os tubarões convivem em harmonia, por que os homens insistem nas relações de poder?
O fato é que, de uma forma ou de outra, disforme e conforme a situação, os homens se espelham nos peixes de forma incongruente, adaptando a parte ruim, protegendo-se de ataques imaginários e atacando supostos concorrentes. Uma herança como essa, rica e específica, não pode ser tratada como se quer. Porque, diferente dos peixes, os homens não sabem nadar pacificamente, tampouco aproveitar o que lhe é dado. Burramente. Cegamente. Incoerentemente.

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