sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Passado imperfeito


Não se trata apenas de um tempo verbal no qual as ações não foram completadas. Mas de toda uma história cujo fim se dissipou no meio do caminho. Cujos planos, de tão cedo pensados, desvaneceram-se em uníssona constante. Trata-se não somente de um futuro perdido, mas de uma vida que deixou de ser conquistada. Trata-se, entretanto, da perda imatura.

O passado imperfeito é bem mais que um tempo acomodado, desiludido e incompleto, é a reflexão necessária para darmos perfeição e qualidade ao presente, para que, no futuro, possa-se olhar para trás e enxergar uma vida repleta de sobriedade e tarefas realizadas, sonhos vividos e desejos saciados.

Bem mais que saciar as vontades, é transformá-las em mais-que-perfeito. Tudo valeu a pena, tudo satisfez como imaginado. Tudo, absolutamente tudo, foi capaz de transbordar os sentimentos de complexidade e simplicidade do interior.

Transformar o passado imperfeito está bem mais dentro do nosso alcance do que se pode imaginar. Aperfeiçoar o passado é dizer “te amo” quando a vontade rompe o peito, é abraçar alguém que precisa de afago nos momentos tristes e felizes, é saber viver como se o amanhã fosse hoje, e tudo que já fora conquistado estivesse sob risco. Aperfeiçoar o passado é decepcionar-se, é rir, é chorar, é viver.
 
Aperfeiçoar o passado é, sem dúvida, a maior missão que se pode ter. É fazer com que o presente se orgulhe e o futuro se espelhe nos erros e acertos do passado.

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