Junior: “Quando eu era
vivo ela era quente”.
Sim,
Junior está morto dentro de si mesmo. A depressão tem disso, e Junior tem
motivo de sobra para não pensar em viver novamente. O problema está no passado
do protagonista. A infância se estende à fase adulta e o estopim da crise vem
com a traição da ex-mulher, Márcia, com o amigo adolescente do filho.
De
volta à casa do pai, Sênior/Seu Zé, Junior conhece a inquilina Bruna, estudante
de artes. A partir daí, passa a vigiar a moça como quando o pai faz, enquanto a
moça troca de roupa, através de um furinho no fundo armário. Junior passa a
delirar um amor platônico ao passo que se atormenta com as encomendas que
recebe de anônimos. Sem trabalho, ocupação ou perspectivas, Junior passa a
ocupar-se em decifrar os mistérios que lhe chegam pelos correios.
Movidos
pelo interesse comum em mistérios e maconha, Bruna e Junior se aproximam e
criam um vínculo de cumplicidade em prol de buscarem uma solução. A cumplicidade
sobrevive até mesmo à tentativa de estupro e roubo de parte das economias da
estudante. Assim como quando trabalhava na loja de auto-peças, Junior passa a
tratar a vida em códigos. Uma sequência de números e uma peça correspondente a
uma ação futura.
A
obsessão segue. A depressão também. O fracasso continua. Tormentas e terror
aparecem e mudam a rotina de uma casa comum. Cigarro, maconha e bebida
alcóolica. O final, entretanto, é um toque de mestre do autor, Lourenço
Mutarelli.
SANDY
– BRUNA
Diferente
das mocinhas corajosas e românticas já interpretadas no filme AcQuária (2004) e
no seriado As Brasileiras (2012), Sandy teve um grande desafio em interpretar a
estudante de artes, Bruna. Maconha, misticismo e determinação. Bruna é, de
fato, o papel mais importante da carreira de atriz da cantora. O talento é o
que dirá se ela soube ou não aproveitar a oportunidade. Expectativa de fã à
parte, Sandy parece ter maturidade suficiente para aproveitar as chances que
lhe são oferecidas.

A história parece, realmente, ser legal. Agora é esperar para ver se a Sandy está madura o suficiente para viver a Bruna do modo como ela foi criada, na obra do Mutarelli.
ResponderExcluirSó uma observação, o seriado que a Sandy participou não foi Gabriela, e sim "As Brasileiras". O personagem que se chamava Gabriela.